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quarta-feira, 12 de junho de 2019

PRÉMIO CNS José Ferreira Júnior & João Januário Coutinho

O CNS edita pelo segundo ano consecutivo o Prémio CNS José Ferreira Júnior & João Januário Coutinho, que visa distinguir ideias e projetos que tenham por objetivo contribuir para a melhoria da qualidade de vida de pessoas com doenças neurodegenerativas e para a promoção de um envelhecimento com saúde.

Este prémio, que também homenageia os patriarcas da família Coutinho Ferreira, responsável pelo conceito e criação do CNS, destina-se a alunos de qualquer nacionalidade, que frequentem ciclos de ensino pré-universitários, com idade inferior a 20 anos.

O prazo de entrega das candidaturas terá início no dia 1 de Junho, e estender-se-á até dia 31 de Outubro.

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Para mais informações, poderá consultar o nosso regulamento.

terça-feira, 4 de junho de 2019

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Nenhum jovem nasce delinquente – João André Costa

Nenhum jovem nasce delinquente – João André Costa

Nenhum jovem nasce delinquente. Não, os jovens fazem-se delinquentes, e cada vez em maior número, à taxa de três pontos percentuais por ano ao longo dos últimos cinco anos. 
O alerta veio da presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens, Rosário Farmhouse, aos jornalistas presentes no encontro nacional das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens.
Sem futuro, sem interesse, motivação ou esperança, são cada vez mais os jovens entre os 15 e os 17 anos envolvidos em comportamentos delinquentes, desde o consumo de drogas e álcool à indisciplina escolar e à actividade criminosa. Fruto de famílias desestruturadas, vítimas da violência doméstica, da negligência, de abusos físicos, emocionais, sexuais, testemunhas do consumo de estupefacientes no seio familiar, filhos do desemprego de um ou dos dois pais, eles próprios sem futuro, interesse ou esperança, imigrantes de segunda e terceira geração sem quaisquer raízes culturais, encontramos cada vez mais crianças e jovens sem ninguém com quem falar, sem um pai, sem uma mãe, com irmãos e irmãs igualmente afectados, também eles sem modelos familiares ou alguém com quem falar.
E este é o cerne da questão. Estes jovens não têm nenhum adulto com quem falar, nenhum guia. Nem têm nenhuma razão para ter quando foram os adultos a abandoná-los em primeiro lugar. Assim criados, estamos a falar de jovens sem qualquer confiança no mundo dos adultos.
Feridos, rejeitados, procuram a rejeição quando um adulto se aproxima pois essa é a realidade com que sempre viveram. Sozinhos, procuram outros jovens com quem se identificam, muitas vezes pelas piores razões, entrando numa espiral de onde é difícil regressar.
Trabalhando com estes alunos todos os dias, a maior dádiva é a nossa presença, a nossa persistência, dedicação, teimosia, o nosso carinho e amor. E sim, há pontapés, e sim, também há murros, contra as paredes e portas, contra outras crianças, entre outras crianças, contra os professores e pessoal auxiliar entre insultos e mais pontapés. 
E sim, temos apoios, desde psicólogos a assistentes sociais, passando pela polícia e psiquiatras, sem esquecer os nossos colegas e, de vez em quando, os pais. Juntos, aturamos tudo. Juntos, encaixamos tudo. Juntos, fazemos a diferença. Porquê? Porque não nos vamos embora.
Somos um hospital, somos uma enfermaria, somos a casa que nunca tiveram, somos pais e somos mães, somos mais, somos professores. Ensinamos e educamos, fazemos as vezes das famílias que nunca tiveram, trabalhando em pequenas turmas com cinco ou seis alunos, num total de 40 alunos na escola inteira.
Tudo isto leva tempo. Leva tempo poder voltar a confiar, poder voltar a falar, a chorar, a rir, a abraçar, a agradecer, a confiar. Não é fácil. Tal como não é fácil explicar a outros adultos o quanto vai nas almas destas crianças, destes meninos perdidos acabadinhos de sair da “Terra do Nunca”.
 

segunda-feira, 20 de maio de 2019

O valor de ensinar as crianças a dizer “obrigado”, “por favor” e “bom dia”


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O valor de ensinar as crianças a dizer “obrigado”, “por favor” e “bom dia”

“A educação não muda o mundo, muda as pessoas que irão mudar o mundo.” –Paulo Freire

Transmitir às crianças a importância de agradecer, de pedir “por favor” ou de dizer “bom dia” ou “boa tarde” vai muito além de um simples gesto de educação. Estamos investindo em emoções, em valores sociais, e acima de tudo, em reciprocidade.

Para criar uma sociedade baseada no respeito mútuo, onde o civismo e a consideração façam a diferença, é preciso investir nesses pequenos hábitos sociais aos quais às vezes não damos a devida importância. Porque a convivência se baseia, no fim das contas, na harmonia, nessas interações de qualidade baseadas na tolerância onde todas as crianças deveriam ser iniciadas logo cedo.

Sou da geração da gratidão, do por favor e do bom dia, da mesma que não duvida em dizer “sinto muito” quando é necessário. Qualidades, todas estas, que não hesito em transmitir aos meus filhos, porque educar com respeito é educar com amor.

Um erro que muitas famílias costumam cometer é iniciar os filhos nestas normas de cortesia quando os pequenos começam a falar. Mas é interessante saber que o “cérebro social” de um bebê é extremamente receptivo a qualquer estímulo, ao tom de voz, e mesmo às expressões faciais de seu pai e sua mãe.

Acredite se quiser, podemos educar uma criança nos seus valores desde muito cedo. Suas aptidões são inesperadas e precisamos aproveitar essa grande sensibilidade em matéria emocional.

Agradecer, uma arma de poder no cérebro das crianças

Os neurocientistas nos lembram que o sistema neurológico de uma criança está programado geneticamente para se “conectar” com os outros. É uma coisa mágica e intensa. Mesmo as atividades mais rotineiras, como alimentá-los, dar banho ou vesti-los, se transformam em informações cerebrais que configuram de um jeito ou de outro a resposta emocional que essa criança terá no futuro.

O desenho dos nossos cérebros, por assim dizer, nos faz sentir implacavelmente atraídos por outros cérebros, pelas interações de todos aqueles que estão ao nosso redor. Portanto, uma criança que é tratada com respeito e que desde cedo se acostumou a ouvir a palavra “obrigado” rapidamente entenderá que está diante de um estímulo positivo poderoso e que, sem dúvida, irá desvendando pouco a pouco.

É muito provável que uma criança de 3 anos a quem seu pai e sua mãe ensinaram a dizer obrigado, por favor ou bom dia, não compreenda muito bem ainda o valor da reciprocidade e do respeito que essas palavras impregnam. Mas tudo isso cria uma base apropriada e maravilhosa para que depois as raízes cresçam fortes e profundas.

No fim das contas, a idade mágica compreendida entre os 2 e 7 anos é a que Piaget denominava como “estádio de inteligência intuitiva”. É aqui onde os pequenos, apesar de estarem sujeitos ao mundo dos adultos, irão despertando progressivamente o sentido do respeito, intuindo esse universo que vai mais além das próprias necessidades para descobrir a empatia, o sentido de justiça e, obviamente, a reciprocidade.

A reciprocidade, um valor social de peso

Quando uma criança descobre finalmente o que acontece nos seus contextos mais próximos quando pede coisas com um ‘por favor‘ e as conclui com um ‘obrigado’, nada mais será igual. Até o momento, ela o realizava como uma norma social preestabelecida pelos adultos, uma coisa que lhe trazia incentivos positivos pelo seu bom comportamento.

“A educação não muda o mundo, muda as pessoas que irão mudar o mundo.”
Paulo Freire

Contudo, cedo ou tarde ela experimentará o autêntico efeito de tratar com respeito a um par, e como essa ação se reverte, por sua vez, nela mesma. É uma coisa excepcional, uma conduta que a acompanhará para sempre, porque tratar com respeito aos outros é, além disso, respeitar a si mesmo, é agir de acordo com certos valores e um sentido de convivência baseado em um pilar social e emocional de peso: a reciprocidade.

Será por volta dos 7 anos de idade que nossos filhos descobrirão plenamente todos estes valores que perfazem a sua inteligência social. É nesse instante que começam a dar mais importância à amizade, a saber o que implica essa responsabilidade afetiva, a entender e desfrutar da colaboração, atendendo necessidades alheias e interesses diferentes dos próprios.

É, sem dúvida, uma idade maravilhosa onde todo adulto precisa ter em mente um aspecto fundamental: precisamos continuar sendo o melhor exemplo para nossos filhos. Agora, a pergunta mágica é a seguinte… De que forma vamos envolvendo nossos filhos desde cedo nessas normas de convivência, de respeito e de cortesia?

Sugerimos algumas simples estratégias para que você tenha em mente, algumas orientações básicas para apontar às crianças em cada situação:

Você chegou ou entrou em algum lugar? Cumprimente, diga bom dia ou boa tarde.
Você vai embora? Diga adeus.
Recebeu um favor? Alguém lhe deu alguma coisa? Agradeça.
Alguém falou com você? Responda.
Alguém está falando com você? Ouça.
Você tem alguma coisa? Compartilhe.
Você não tem? Não inveje.
Você tem alguma coisa que não é sua? Devolva-a.
Você quer que façam alguma coisa por você? Peça por favor.
Você se enganou? Peça desculpas.

São regras simples que, sem sombra de dúvida, serão de grande ajuda no dia a dia de qualquer família.

Publicado originalmente em A mente é maravilhosa

sexta-feira, 29 de março de 2019

domingo, 24 de março de 2019

CGI 3D Animated Short: "Take Me Home" - by Nair Archawattana | TheCGBros

No curta-metragem “Take me home” [“Me leve para casa”, em tradução livre para o português], Nair Archawattana conta a história de um beagle que, em um abrigo, já está perdendo as esperanças de encontrar uma família – até que, finalmente, parece que sua sorte vai mudar.

terça-feira, 19 de março de 2019

Educação sexual porque sim – João André Costa

Educação sexual porque sim – João André Costa

Educação sexual porque sim
Os anos passam, as gerações passam, as décadas também, e as perguntas ficam por responder. As gerações passam, os nossos professores também, os que não sabiam responder às perguntas inquietantes, aos ímpetos inquietantes, às vontades em ebulição dos corações adolescentes, os nossos, os vossos. Agora somos nós os professores e, surpresa das surpresas, continuamos sem saber responder, e no entanto sabemos, experienciámos, aprendemos às nossas custas, por tentativa e erro, batendo com a cabeça na parede e, por vergonha, por falta de à vontade, revelamo-nos tão incapazes como quem nos precedeu para ajudar quem, diante de nós, faz as mesmas perguntas, e outras, vinte anos depois.
Sejamos francos e falemos, portanto e um pouco, sobre educação sexual. Sim, somos todos sexuados desde a nascença. Nascemos com um sexo, fruto do sexo, e preparamo-nos para o sexo. Por uma questão reprodutiva? Não só, por prazer, por amor, porque se o sexo não desse prazer, tanto prazer, a probabilidade de por aqui andarmos seria tão menor. O que é o orgasmo? É o clímax sexual, quando um homem ejacula e uma mulher também e os fluidos assim libertos potenciam a viagem dos espermatozóides ao óvulo, se houver um óvulo, se estivermos a meio do ciclo feminino. É errado um rapaz gostar de um rapaz e uma rapariga gostar de uma rapariga? É a expressão de amor pelo outro errada? Não. É errado gostar-se do sexo oposto? É errado sentir-me do sexo oposto? É errado não me identificar com nenhum dos sexos ou movimentar-me entre os mesmos? Também não. Como é que se faz para evitar uma gravidez? Sabem colocar um preservativo? Então, nada de contacto com a vagina antes de colocarem o mesmo, sob risco de meia dúzia de espermatozóides no líquido seminal. Basta um. E fazer um bebé é o mais fácil. Querem uma rapariga? Tenham relações 4 ou 5 dias antes da ovulação. Querem um rapaz? 2 ou 3 dias antes da ovulação, os espermatozóides Y são mais leves (têm uma perninha a menos) mas duram menos tempo e vice-versa. É possível engravidar se o rapaz e a rapariga estiverem juntos no banho? É, os espermatozóides nadam. Os métodos contraceptivos são 100 por cento seguros? Não. 100 por cento seguro é a abstinência. Quando se faz um aborto estamos a matar um ser humano? Sim. Devemos ir para a prisão por isso? Não, e ninguém aborta porque quer. Em vez de condenar, é preciso apoiar, é preciso educar, para que não se tenha de tomar uma decisão tão difícil. A probabilidade de contrairmos uma doença sexualmente transmissível aumenta com o número de parceiros sexuais? Sim, desde clamídia, gonorreia, sífilis, herpes genital, SIDA, só para citar as mais comuns. Pode-se morrer de SIDA? Sim, mas hoje em dia, e graças ao desenvolvimento da medicina, a SIDA é uma doença crónica. É uma vergonha falar de sexo? Vergonha é não falar e acabar com uma gravidez adolescente e uma criança sem culpa da ignorância dos pais.
Sem amor, o mundo não anda. É preciso amar, e para amar é preciso aprender. É preciso aprender a respeitar o outro, o parceiro, a parceira, o companheiro, a companheira, é preciso falar, ouvir, aprender, ceder, negociar, compreender, desculpar, perdoar, acariciar, abraçar, amar, e o amor, a educação sexual, não é só sobre sexo, é sobre relações interpessoais. Como nos vestir, como falar, como nos darmos a conhecer ao outro, o que se deve dizer e não dizer, o que é insultuoso e o que é socialmente aceite, os direitos das mulheres e os direitos dos homens, os direitos, a liberdade de expressão, a afirmação sexual, a liberdade sexual, o papel da igreja, a castração física, química, social, e por aí fora, há tanto por falar. Acredito como tudo o que fazemos na vida, fazemo-lo por prazer sexual e Freud tinha razão. Sexo em grupo? Troca de casais? É um campo de minas, falem com o vosso parceiro, liberdade sexual sim e respeito também. Qual a idade certa para falar de educação sexual com as crianças? Qualquer idade a partir do momento em que nos compreendem e aos 4 anos as crianças compreendem, e querem compreender, as diferenças sexuais, não sejamos hipócritas e Freud tinha razão. Outra vez.
Vamos falar de sexo, vamos educar para a sexualidade. Não falar de sexo é negarmo-nos, é negar a nossa existência e origem e a razão de ser. 20 anos depois, nós sabemos. Aprendemos às nossas custas. Não há motivo nenhum para não partilhar quanto aprendemos, é nosso dever, é a nossa obrigação, para que os erros básicos não se perpetuem no tempo só porque temos vergonha de falar de, e sobre, educação sexual.